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Depois de cinco anos a bordo do navio Beagle, quando deu a volta ao mundo, o naturalista retornou em 1836 ao Reino Unido e passou décadas conduzindo experiências em sua casa em busca de evidências para sua teoria da evolução por seleção natural. A curiosidade e a dedicação de Darwin culminaram em algumas previsões famosas – como, por exemplo, a da existência de uma espécie mariposa descoberta apenas décadas depois
BBC
Desde orquídeas até crustáceos e sementes.
A curiosidade de Darwin pelo mundo natural era tamanha que, quando focava em algo, seu interesse não só se convertia em paixão, como também levava a meses ou anos de experimentos meticulosos.
O naturalista era capaz de enxergar questões profundas em acontecimentos em que a maioria das pessoas sequer prestaria atenção.
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Depois de passar cinco anos a bordo do navio Beagle, quando deu a volta ao mundo observando espécies da América do Sul à Oceania, Darwin retornou em 1836 ao Reino Unido, seu país de origem.
O biólogo passou, então, décadas fazendo experimentos em sua casa em Kent, a cerca de uma hora de Londres, em busca de evidências para sua teoria da evolução por seleção natural.
Apesar de ter sofrido com problemas estomacais, tonturas, fadiga extrema e outros sintomas debilitantes ao longo da vida, não desistiu de seus experimentos.
Darwin sofreu com problemas de saúde ao longo de grande parte da vida adulta, mas nunca desistiu de seus experimentos
Science Photo Library/BBC
“Darwin tinha problemas de saúde, e só alguém que realmente amasse estudar a natureza teria perseverado como ele fez, ao longo de décadas de experimentos e observações cuidadosas”, disse à BBC News Mundo o professor de biologia Ken Thompson, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, autor do livro As plantas mais maravilhosas de Darwin.
“A teoria da seleção natural, com toda a sua importância, pode ser vista como uma consequência do grande amor e curiosidade de Darwin pelo mundo natural.”
Conheça cinco experimentos realizados por Darwin que podem ser replicados em casa e entenda o que o naturalista britânico buscava comprovar por meio deles.
1. Em direção à luz
Com seus experimentos sobre como brotos respondiam ao estímulo da luz, Darwin descobriu os hormônios das plantas
Science Photo Library/BBC
Em “O Poder do Movimento nas Plantas”, que escreveu com um dos dez filhos, Francis, Darwin descreve como constatou que o broto de uma espécie de planta, a Phalaris canariensis, crescia “torto” quando submetido ao estímulo da luz.
“Nos surpreendeu ver como a parte superior determinava a direção da curvatura da parte inferior” – Charles Darwin
Para averiguar se a parte superior do broto era a parte sensível à luz, o biólogo cobriu a recobriu com uma “capa” de material opaco. E verificou que, desta vez, a planta não se dobrou em direção à luz.
É possível replicar esse mesmo experimento: plantar uma semente e ver como seu primeiro broto curva-se em direção a uma vela acesa, por exemplo, para então cobrir a ponta com uma “capa” de papel alumínio e notar a diferença.
Darwin era cuidadoso e paciente quando se tratava de suas experiências mas, segundo Ken Thompson, “sua verdadeira genialidade estava em sua habilidade de formular as perguntas corretas”.
Darwin esteve no Brasil por 5 meses em 1832
Arte / TG
Neste experimento, “a ideia-chave para Darwin era de que a parte de uma planta que responde a um estímulo – neste caso, à luz – não necessariamente é a mesma que percebe esse estímulo”.
“E essa constatação leva a uma conclusão inevitável, de que algo transporta esses sinais de uma parte a outra da planta.”
“Darwin descobriu, na prática, o efeito dos hormônios das plantas, que seguem sendo uma das áreas mais ativas de pesquisa em fisiologia vegetal.”
2. A ‘luta pela existência’
Em seus experimentos com ervas daninhas, Darwin queria demonstrar que mais organismos individuais nascem do que organismos que sobrevivem
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Em 1857, Darwin analisou as ervas daninhas em seu jardim e demonstrou que a vasta maioria das sementes que germinam não sobrevive.
A mesma experiência pode ser replicada, delineando com uma corda um pequeno lote de terreno em que a terra fique exposta e marcando o lugar em que cada semente nasce.
“A cada dia, eu marcava as mudas de ervas daninhas que nasceram durante os meses de março, abril e maio. De 357 que apareceram, 277 pereceram, principalmente devido às lesmas”, escreveu Darwin.
Mas por que o naturalista estava tão interessado em observar a morte precoce dos brotos?
Darwin (à dir.) em sua casa, junto ao geólogo Charles Lyell (de pé) e o botânico Joseph Hooker na pintura de Victor Eustaphieff: Hooker era diretor do Jardim Botânico de Londres, Kew Gardens, e Darwin manteve uma longa correspondência com ele sobre seus experimentos
Science Photo Library/BBC
Em “A Origem das Espécies”, Darwin escreveu: “já que mais indivíduos são produzidos do que os que podem sobreviver, deve haver uma luta pela existência”.
Thompson destaca que a teoria da seleção natural estava baseada na ideia – então descrita como a sobrevivência do mais apto, por Herbert Spencer – de que mais organismos individuais nascem do que os que podem sobreviver.
Somente os mais aptos se reproduzem e passam seus genes à nova geração.
“Darwin estava interessado em qualquer exemplo desse processo em ação – neste caso, a morte da maioria dos brotos em um lote de terra”.
3. Sementes na água
Provar que sementes poderiam sobreviver por longos períodos na água do mar e então germinar era importante para explicar a presença de uma mesma espécie em lugares distantes entre si
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Darwin passou mais de um ano verificando a capacidade das sementes de sobreviver na água do mar.
O experimento era crucial para responder aos críticos da teoria da evolução das espécies.
“A crença dominante na época de Darwin era de que os animais e plantas eram encontrados nos lugares em que Deus os havia colocado”, explica Thompson.
Encontrar uma mesma espécie em lugares muito distantes entre si, às vezes mesmo em continentes diferentes, era considerado uma prova desse desígnio divino.
O estúdio de Darwin em sua casa, a Down House, agora é preservado como museu
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“Darwin queria mostrar que as espécies podem se dispersar por distâncias maiores do que as pessoas acreditavam.”
“Por isso, provar que as sementes conseguiam sobreviver durante longos períodos de tempo na água do mar, para então germinar, era importante, já que implicava ser possível a dispersão por grandes distâncias por meio das correntes oceânicas”, acrescenta.
4. Plantas carnívoras
As cartas de Darwin revelam que, por volta de 1860, sua paixão eram plantas carnívoras, como descreve Thompson em seu livro.
O cientista chegou inclusive a se referir a uma delas, a Drosera rotundifolia, ou orvalho-do-sol, como sua “amada drosera”.
‘Para Darwin, era óbvio que a drosera havia evoluído a partir das muitas plantas que tinham tricomas glandulares por outras razões, como a defesa contra insetos’
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Darwin queria descobrir a dieta favorita dessa planta e, assim, submeteu-a a uma dieta variada, à base de itens como açúcar, leite, azeite e gelatina.
“As insetívoras eram um exemplo maravilhoso de plantas que gradualmente evoluíram e desenvolveram uma habilidade de fazer algo que a maioria das plantas não pode fazer”, explicou Thompson à BBC News Mundo.
“Para Darwin, era óbvio que a drosera havia evoluído a partir das muitas plantas que tinham tricomas glandulares (apêndices que produzem secreção) por outras razões, como a defesa contra insetos. E podia, por sua vez, evoluir e se converter em algo diferente, como a chamada apanha-moscas.”
O naturalista também deduziu corretamente que as plantas carnívoras evoluíram em solos pobres, em que precisavam atrair insetos para obter nutrientes.
“Considerando o solo em que elas crescem, o nitrogênio disponível é geralmente muito limitado – o que faz com que muitas delas absorvam o elemento dos insetos que capturam”, escreveu Darwin.
5. Coevolução
Darwin fez experimentos com o trevo vermelho para estudar a dependência dessas plantas de seus insetos polinizadores
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Darwin estudou a relação entre as plantas e os insetos que as polinizam, uma dependência fruto da coevolução de duas espécies diferentes.
O cientista fez experiências com plantas de trevo vermelho – processo que pode ser replicado por um leigo.
Antes que o trevo floresça, cubra algumas partes da planta com uma malha “à prova de insetos”. Então compare o número de sementes produzidas pelas flores cobertas e pelas expostas.
Um dos casos mais famosos de coevolução é o de uma célebre previsão de Darwin.
O naturalista recebeu de um famoso horticultor inglês, James Bateman, vários exemplares de uma chamativa orquídea de Madagascar, a estrela-de-Belém, cujo nome científico é Angraecum sesquipedale – e que ficaria conhecida como a “orquídea de Darwin”.
A ‘orquídea de Darwin’, Angraecum sesquipedale, tem um nectário de 30 centímetros de comprimento. Que inseto poderia alcançar o néctar e polinizá-la?
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O que chamou a atenção do cientista foi o comprimento do nectário ou canal (de cerca de 30 centímetros), cuja parte inferior armazena o néctar.
“Para Darwin, estava claro que, se uma orquídea tinha um nectário de cerca de 30 centímetros, esse nectário havia evoluído assim por uma razão”, explica Thompson.
“Ele cultivou Angraecum em sua própria estufa e antecipou que ela deveria ser polinizada por uma mariposa com uma probóscide (língua) suficientemente comprida para alcançar o néctar”.
Darwin previu a existência de uma mariposa com uma probóscide (língua) suficientemente longa para polinizar a orquídea de Madagascar
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Foram necessários cerca de 40 anos para que se descobrisse uma mariposa com tais características em Madagascar.
“E demonstrar que a mariposa efetivamente polinizava a orquídea levou mais de um século.”
A mariposa foi descrita com o nome de Xanthopan morganii praedicta, e a última parte de seu nome faz referência à previsão realizada por Darwin sobre sua existência.
Uma mensagem de Darwin para todos
‘O mundo está cheio de perguntas para aqueles que têm olhos para vê-las’, destaca Thompson
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Os experimentos de Darwin têm uma grande mensagem para todos nós, segundo Thompson.
“Darwin nunca encarou nada como fixo”, afirmou à BBC News Mundo o professor da Universidade de Sheffield. “Ele via as mesmas coisas cotidianas que todos nós vemos, mas sempre buscava nelas um significado profundo.”
“O mundo está cheio de perguntas para aqueles que têm olhos para vê-las.”
VÍDEO: Darwin desistiu da medicina viajou pelo mundo
Teorias da evolução e seleção natural repercutem em várias disciplinas


Cientistas têm investigado com mais atenção nos últimos dez anos o quanto os hábitos alimentares contribuem para nosso estado mental. Esforço fez surgir, inclusive, uma área nova do conhecimento: a psiquiatria nutricional. Dieta equilibrada pode alterar seu humor
Getty via BBC
Dias ruins mexem com nossa cabeça e apetite. Períodos de estresse fazem não apenas o humor oscilar, mas também a fome. Alguns ficam mais famintos. Outros param de comer. É comum associar ansiedade e depressão a transtornos alimentares.
O que médicos, nutricionistas e psiquiatras têm investigado com atenção nos últimos dez anos é o quanto nossos hábitos alimentares contribuem para nossos estados mentais de euforia e tristeza. Surgiu, inclusive, uma área nova do conhecimento: a psiquiatria nutricional.
Experimentos em laboratório com camundongos têm ajudado a desvendar como a alimentação nos deixa mais felizes ou tristes. A origem disso não está só em nossa cabeça: para entender como a comida altera nosso humor, é preciso olhar também para o intestino.
O que a ciência já sabe
Somos o que comemos. A influência da dieta em nosso estado mental é imensa. Há uma farta literatura médica sobre esse assunto.
De modo geral, os especialistas observam o equilíbrio entre dois grupos alimentares: açúcares e gorduras. É com eles que obtemos a maior parte da nossa energia, mas também são eles que, em excesso, causam desequilíbrios importantes.
Comer mal danifica o cérebro, por um processo conhecido como estresse oxidativo — a liberação de radicais livres de oxigênio no corpo acontece naturalmente e se avoluma com a idade, mas a dieta pode acelerar esse acúmulo.
A obesidade induzida por dietas ricas em açúcar e gorduras saturadas promove resistência do nosso organismo à ação da insulina, hormônio responsável por “colocar” a glicose dentro das células. Isso aumenta a glicemia, que é a quantidade de açúcar presente no sangue.
Persistindo nesses hábitos alimentares, pode ocorrer o desenvolvimento de diabetes. Além disso, gorduras saturadas comprometem o fluxo sanguíneo e causam inflamação nos órgãos.
Mas o que faz bem ao cérebro? Alimentos anti-inflamatórios, gorduras simples (monossaturadas ou poli-insaturadas) e antioxidantes, como frutas, legumes, nozes e vinho, parecem ter um efeito restaurador sobre o órgão, protegendo-o do estresse oxidativo e da inflamação, que afeta o equilíbrio entre os neurotransmissores, responsáveis por regular nossas emoções.
“Já sabemos que dietas ricas em gorduras saturadas e/ou açúcares são capazes de alterar o estado de humor tanto em animais de laboratório como em seres humanos. O consumo de alimentos gordurosos, como as típicas ‘junk foods’, está associado ao aumento de depressão e ansiedade”, afirma Cristiano Mendes da Silva, do Laboratório de Neurociência e Nutrição da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A nutricionista Catherine Ássuka Giriko constatou uma correlação entre dietas ricas em gordura e estados de depressão e agressividade numa prole de ratos adultos cujas mães ingeriram alimentos gordurosos enquanto os amamentavam.
“Usando modelos animais, constatamos que uma gestante cuja dieta é rica em gorduras pode gerar uma prole com atraso neurodesenvolvimental e que tem alterações moleculares importantes na região do cérebro envolvida com processos de memória e aprendizado”, explica Mendes da Silva.
Dieta mediterrânea Bem Estar (arquivo)
Mariana Garcia/G1
A epidemiologista Camille Lassale, pesquisadora do University College, no Reino Unido, diz que determinados hábitos alimentares podem levar à depressão.
“O vínculo é claro. Não quero dizer que uma dieta ruim nos deixa tristes porque engordamos e nos sentimos mal com o ganho de peso. Nossos hábitos alimentares nos fazem realmente adoecer, mexem com o sistema imunológico, além de afetar a saúde mental.”
Lassale fez uma análise, publicada em 2018 no periódico “Nature Molecular Psychiatry”, em que comparou dados de 41 artigos científicos sobre o tema. Ela concluiu que incluir alimentos anti-inflamatórios na dieta é mais saudável e pode ajudar a prevenir a depressão.
“Indivíduos que adotam dieta mediterrânea (com mais fibras, azeite, verduras, frutas e legumes in natura e poucos produtos processados) tiveram um risco 33% menor de desenvolver depressão do que aqueles cuja dieta menos se assemelhava à mediterrânea”, afirma a cientista.
“De todo modo, creio que a dieta ajuda, sim, a algumas pessoas, e temos agora explicações biológicas de como isso acontece. Dieta e exercícios físicos evitam e combatem a depressão, mas só podem ser vistos como peças de um complexo quebra-cabeças da mente humana.”
Deprimir é inflamar
É difícil dizer não a uma colher de brigadeiro quando alguma coisa vai mal em nossas vidas.
Em situações de cansaço, fadiga ou preocupação, o organismo parece pedir uma recompensa química, na forma de uma descarga de serotonina, um neurotransmissor responsável por nossa sensação de bem-estar, produzida a partir da ingestão de açúcares e gorduras.
Quanto mais simples estes alimentos, em termos químicos, mais fáceis de digerir, e maiores os “picos” de euforia. O açúcar refinado das sobremesas chega mais rápido e de forma mais forte ao cérebro do que quando comemos alimentos mais complexos, verduras e grãos integrais.
Mas o prazer é passageiro, e a glicose em excesso pode prejudicar o funcionamento do nosso corpo. Há evidências neurobiológicas que apoiam a “hipótese neuroinflamatória” da depressão, a qual estabelece que comportamentos de ansiedade e depressão podem ser induzidos por dietas ricas em gordura.
Mendes da Silva explica que uma dieta gordurosa e açucarada compromete o fluxo sanguíneo. O colesterol ruim (LDL-colesterol) se oxida e promove um estado pró-inflamatório no interior de vasos sanguíneos, o que pode gerar uma resposta das células de defesa do organismo (monócitos), que irão fagocitar (“comer”) essas moléculas até “estourarem”.
Isso forma uma camada de gordura de dentro para fora do vaso sanguíneo, conhecida como placa de ateroma, que provocam infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
O mesmo pode ocorrer em nível cerebral: se moléculas desse tipo atravessam a barreira hematoencefálica, que protege o sistema nervoso central, chegam aos neurônios e ativam receptores que disparam uma cascata de reações, entre elas a produção e liberação de moléculas que estimulam a formação de uma inflamação.
“A inflamação reduz os níveis de serotonina, o ‘neurotransmissor da felicidade’, e aumentam o risco de depressão”, diz Mendes da Silva. Ou seja, o mesmo agente da alegria é capaz de perturbar o organismo e causar tristeza depois.
A epidemiologista Débora Estadella, do Instituto de Saúde e Sociedade da Unifesp, afirma que o vilão não são alimentos ou nutrientes isolados, mas sim um padrão alimentar.
Boas refeições equilibram os possíveis efeitos nocivos de uma barrinha de chocolate, por exemplo.
“A maior parte dos estudos de nutrição e epidemiologia relata isso, e o que se investiga são padrões macroalimentares, como a análise comparativa entre vegetarianos ou não vegetarianos, os que comem alimentos processados ou não, as dietas regionais, como a mediterrânea, asiática e as ocidentais”, afirma Estadella.
A influência dos micro-organismos
A relação entre o que acontece no intestino e saúde mental é um dos tópicos mais intrigantes e controversos da pesquisa sobre nossa metagenômica, termo científico para o conjunto de bactérias, vírus e fungos que fazem parte de nosso organismo.
Essa abordagem é bastante recente dentro da Medicina e tem se popularizado nos últimos anos.
Os microorganismos que habitam o corpo humano – calcula-se que sejam mais de 100 trilhões – são fundamentais para a absorção de nutrientes, vitaminas e o equilíbrio químico de neurotransmissores. Isso porque eles “quebram” os nutrientes que ingerimos e criam as moléculas que estimulam atividade neural.
A maior parte desse exército está em nossos intestinos, cujas paredes estão repletas de terminações nervosas, no chamado sistema nervoso entérico.
É no intestino, inclusive, que estão 90% dos receptores de serotonina, que além de interferir no humor e inibir a dor, regulam o sono e o apetite.
Embora haja consenso entre pesquisadores de que a metagenômica seja formada nos primeiros anos de vida de um indivíduo, é possível alterar o ambiente intestinal ao longo da vida. Nossas dietas fazem isso constantemente.
“A complexa comunicação entre intestino e cérebro é orquestrada por diferentes sistemas, incluindo os sistemas nervosos endócrino, imune, autonômico e entérico. As bactérias que vivem em nós têm função essencial para que a conexão aconteça”, afirma Estadella.
O trato gastrointestinal secreta dezenas de moléculas diferentes. Essas substâncias podem “ativar” receptores em células do sistema imunológico, permitindo, assim, uma espécie de conversa indireta entre cérebro e intestino.
A relação entre metagenômica, intestino e cérebro tem sido explorada sobretudo em estudos com animais. Mas essas pesquisas dão pistas importantes do que pode ocorrer em nossos organismos.
Um estudo publicado por biólogos belgas no início de 2019, na revista “Nature Microbiology”, concluiu que bactérias Faecalibacterium e Coprococcus podem sintetizar no intestino uma substância derivada da dopamina, o “neurotransmissor do prazer”.
Outro trabalho, de autoria de Julieta Schachter, do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em colaboração com imunologistas de Taiwan, correlacionou a obesidade, o microbioma intestinal — o conjunto de bactérias que habitam este sistema — e a depressão.
“A diversidade de microbiomas intestinais tem sido fortemente associada a distúrbios do humor, incluindo transtorno depressivo maior.
Pesquisas em roedores mostraram um início de comportamento depressivo após transplantes fecais de pacientes com este transtorno. Por outro lado, a indução de estresse e comportamento depressivo em roedores resultou na redução da riqueza e diversidade do microbioma intestinal”, explica Mendes da Silva.
Terapia combinada
A depressão é uma doença de múltiplas causas e prejuízos visíveis. Calcula-se que mais de 300 milhões de pessoas no mundo convivam com o transtorno. A doença atinge mais mulheres que homens. São pessoas que dormem e comem mal, perdem a vontade e a alegria de viver e também a saúde — a Organização Mundial da Saúde afirma que o custo econômico da depressão, em perda de produtividade, é de US$ 1 trilhão ao ano.
Ao longo das últimas décadas, psiquiatras tratam esses pacientes com medicamentos que agem sobre os neurotransmissores. O intuito é reequilibrar a química do cérebro. Apesar do avanço significativo, o tratamento não é eficaz em todos os casos. Além disso, trata-se de uma condição que é frequentemente recorrente. Alguém que tenha tido depressão em alguma fase da vida tem 50% de voltar a tê-la.
Há pouco mais de dez anos, estudos realizados por neurocientistas, nutricionistas e biólogos têm proposto uma abordagem multidisciplinar em relação à doença. A psiquiatria nutricional é um campo emergente que combina descobertas do campo da epidemiologia e dos efeitos das dietas regionais sobre o microbioma no tratamento da depressão.
“Quando alguém recebe uma receita de antidepressivo, os efeitos colaterais mais comuns estão relacionados ao intestino. Muitas pessoas têm náusea, diarreia ou problemas intestinais”, diz Lassale. Para ela, a abordagem nutricional é crucial no tratamento da doença.
O pesquisador Wolfgang Max trabalha no Food & Mood, centro de pesquisa multidisciplinar da Universidade Deakin, na Austrália. O instituto reúne diferentes áreas do conhecimento, como psicologia, dietética, biomedicina e psiquiatria, para entender as formas complexas pelas quais os hábitos alimentares influenciam cérebro, humor e saúde mental. Max afirma que o Food & Mood conduz atualmente 20 estudos sobre a relação entre comida e humor em vários níveis, da microbiologia a ensaios clínicos e saúde pública.
O grupo, do qual faz parte a cientista Felice Jacka, pioneira nos estudos que associaram a qualidade da dieta e a saúde mental de crianças e adolescentes, recomendou recentemente que a psiquiatria nutricional “se torne parte rotineira da prática clínica em saúde mental”.
Max investiga como os polifenóis, compostos encontrados em pimentas, frutas e verduras, agem sobre o microbioma e a saúde mental. “Há nutrientes complexos em alimentos crus ou pouco processados. Carnes magras e outras fontes de zinco, ferro e ômega-3 garantem a ação antioxidante benéfica ao cérebro.”
Estadella, da Unifesp, diz haver evidências fortes de que o consumo de certos peixes e frutos do mar está ligado a uma menor probabilidade de o indivíduo ter depressão, por serem alimentos que contêm o ácido graxo ômega-3. “Ele melhora a fluidez das membranas neuronais. Alguns estudos utilizaram ômega-3 junto com antidepressivos e tiveram resultados positivos”, afirma a pesquisadora.
Mas ela afirma que, antes de mexer com os intestinos e adotar o consumo frequente de alimentos prebióticos, que servem de comida para nossos micro-organismos, e probióticos, que contêm estes micro-organismos, é importante corrigir a dieta e evitar alimentos ultraprocessados e refinados e preferir os integrais.

A polícia da região metropolitana de Manchester, na Inglaterra, prendeu neste domingo (8) um homem de 41 anos ligado a ofensas racistas que tinham como alvo o volante brasileiro Fred, 26, atleta do Manchester United, segundo o site Sky Sports. O caso ocorreu durante partida contra o Manchester City neste sábado (7), no estádio Etihad, pelo Campeonato Inglês.
Leia mais (12/08/2019 – 10h36)


Estudo divulgado pela União Internacional para Conservação da Natureza durante a COP 25 afirma que cenário põe em risco espécies como atum e marlim-azul. Algumas espécies de tubarão e outros peixes com gasto energético elevado serão prejudicados pela menor disponibilidade de oxigênio dissolvido na água, aponta estudo
Divulgação/IUCN/BBC
As mudanças climáticas e a chamada “poluição por nutrientes” estão reduzindo a concentração de oxigênio nos oceanos e colocando a risco a existência de várias espécies marinhas.
Essa é a conclusão de um dos maiores estudos já realizados sobre esse tema, conduzido pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) e divulgado neste sábado (7) na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 25, que está sendo realizada em Madri, na Espanha.
O que são as zonas mortas dos oceanos – e por que elas estão cada vez maiores
A ‘Ilha Inacessível’ no meio do oceano que virou um depósito de plástico
A poluição por nutrientes é conhecida há décadas e é apontada como um dos principais responsáveis pelo surgimento de “zonas mortas” nos oceanos – locais com concentrações tão baixas de oxigênio que praticamente inviabilizam a existência de vida.
Ela ocorre quando substâncias contendo elementos como fósforo e nitrogênio – usados em fertilizantes agrícolas, por exemplo – são arrastados da terra pela chuva para os rios e chegam ao mar. Ali, provocam o crescimento excessivo da população de algas, fenômeno batizado de eutrofização.
Quando esses organismos morrem, seu processo de decomposição consome oxigênio, diminuindo sua disponibilidade na água.
Oceanos estão perdendo oxigênio devido às mudanças climáticas, alerta pesquisa
A mudança climática, por sua vez, tem agravado o problema: o aumento da temperatura da água é outro fator que contribui para a redução dos níveis de oxigênio.
De acordo com o estudo, cerca de 700 pontos nos oceanos vêm sofrendo com a redução da concentração de oxigênio. Na década de 1960, esse número não passava de 45.
O aumento das concentrações de gás carbônico na atmosfera intensifica o efeito estufa – os gases absorvem uma parcela da radiação que deveria ser dissipada para o espaço e a mantém dentro do planeta.
Os oceanos, por sua vez, absorvem parte do calor. E a concentração de oxigênio na água é sensível à temperatura: quanto mais quente, menor a concentração desse gás, que é fundamental para a manutenção de boa parte da vida marinha.
Mares com menos oxigênio favorecem a proliferação de águas vivas, mas são um habitat hostil para espécie maiores e que se movimentam rápido, como o atum.
Cientistas estimam que, entre 1960 e 2010, o volume de oxigênio dissolvido na água recuou em 2%. O percentual pode não parecer significativo, já que é uma média – em algumas regiões tropicais, entretanto, a queda chegou a 40%.
Peixes maiores têm maior gasto energético – e, portanto, precisam de mais oxigênio para sobreviver
Divulgação/IUCN/BBC
“Já conhecíamos o problema da redução da concentração de oxigênio, mas não sabíamos da ligação que ele tem com a mudança climática – o que é bastante preocupante”, afirma Minna Epps, coordenadora da IUCN.
“E, mesmo no melhor cenário de redução de emissões (de gases de efeito estufa), o oxigênio nos oceanos vai continuar a diminuir.”
Além do atum, algumas espécies de tubarão e o marlim-azul entram em risco nesse cenário.
Isso porque peixes maiores têm maior gasto energético – e, portanto, precisam de mais oxigênio para sobreviver.
De acordo com os autores do estudo, a situação atual tem feito com que esses animais se movimentem mais próximos da superfície do que de costume – onde há mais oxigênio dissolvido na água -, o que também os deixa mais vulneráveis para a pesca.
A estimativa é que, no ritmo atual de emissões, os oceanos terão perdido em média entre 3% e 4% do oxigênio por volta de 2100. A maior parte da perda esperada se concentra a até mil metros de profundidade – faixa que concentra maior biodiversidade.
A tendência é que o quadro seja pior nas regiões tropicais, onde as águas são mais quentes.
O atum está entre as espécies que sofrem com a redução da concentração de oxigênio nos oceanos, conforme a IUCN
Divulgação/IUCN/BBC
“A redução do oxigênio significa perda de habitat e de biodiversidade – e uma ladeira perigosa rumo a um oceano com mais lodo e mais águas vivas”, destaca Minna Epps.
“Ela também pode alterar o ciclo energético e bioquímico nos oceanos – e não sabemos exatamente o que uma mudança como essa pode provocar.”
“A depleção de oxigênio [termo técnico usado para descrever o processo] está ameaçando ecossistemas marinhos que já estão sob pressão com a acidificação e o aquecimento dos oceanos”, acrescentou Dan Laffoley, coeditor do estudo e também membro da IUCN.
“Para barrar a expansão dessas zonas com baixa concentração de oxigênio [nos mares], precisamos de uma vez por todas frear as emissões de gases de efeito estufa, assim como a poluição por nutrientes, causada pela agricultra e outras atividades.”

O ex-soldado Edward Betchley, apontado como autor do roubo da taça Jules Rimet, em 1966, faleceu neste sábado (6), numa casa em Londres, informou sua família. Betchley morreu em decorrência de enfisema pulmonar.

Seu cunhado, George Lee, declarou: “Edward nunca mais se recuperou depois de cumprir 18 meses de prisão que lhe foi imposta pelas autoridades”. Em 1966, um cachorro conhecido Pickles encontrou a taça embrulhada em jornal e escondida em um jardim num bairro de Londres.

A Taça Jules Rimet foi encontrada apenas sete dias após o espetacular roubo. Pickles tornou-se um herói mundial.
Leia mais (12/08/2019 – 01h30)


Organizações como o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido recomendam que crianças entre um e três anos consumam 350 miligramas de cálcio por dia – pouco mais de meio litro de leite. Quando se trata de adultos, entretanto, as pesquisas sobre o efeito do leite de vaca são conflitantes. Intolerância à lactose e alergia ao leite, restrições que ainda causam confusão.
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Os humanos são os únicos seres vivos que bebem o leite de outra espécie. A maioria dos animais para de tomar leite ainda filhotes, quando começam a precisar de alimentos mais complexos.
Por que com os humanos é diferente?
As pessoas que vivem em partes do mundo onde as vacas foram domesticadas – começando no sudoeste da Ásia e se espalhando pela Europa – só passaram a serem capazes de digerir a lactose cerca de 10 mil anos atrás.
O resultado é que apenas cerca de 30% da população mundial continua produzindo lactase, a enzima necessária para ser capaz de digerir lactose até a idade adulta. O restante reduz sua produção após a fase de desmame da infância.
Cápsulas imitam o funcionamento da lactase; enzima que já temos no corpo
A maioria das pessoas torna-se intolerante à lactose, tornando os europeus que bebem leite, junto com algumas populações africanas, do Oriente Médio e do sul da Ásia, a exceção – e não a regra.
Mesmo aqueles que conseguem digeri-la podem querer reduzir a ingestão de leite por causa de outras preocupações, como saúde e os custos ambientais da pecuária, que têm impulsionado o crescimento do consumo de alternativas ao leite de vaca.
Mas existem benefícios para a saúde de trocar o leite de vaca por outra bebida, ou o leite de vaca fornece nutrientes vitais que não podemos obter de outras fontes? E o leite realmente agrava a intolerância à lactose da maioria das pessoas?
O leite de vaca é uma boa fonte de proteína e cálcio, além de nutrientes, incluindo vitamina B12 e iodo. Ele também contém magnésio, que é importante para o desenvolvimento ósseo e para a função muscular, e soro e caseína, que desempenham um papel importante na redução da pressão arterial.
O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido recomenda que crianças entre um e três anos consumam 350 miligramas de cálcio por dia, o que significa pouco mais de meio litro de leite.
Mas quando se trata de adultos, as pesquisas sobre o efeito do leite de vaca são conflitantes.
Embora o cálcio seja necessário para manter os ossos saudáveis, não está claro se uma dieta rica em cálcio aumenta a resistência a fraturas, por exemplo.
Vários estudos não encontraram redução significativa no risco de fratura por beber leite, enquanto alguns indicam que o leite pode, na verdade, aumentar a probabilidade.
Uma pesquisa realizada na Suécia descobriu que mulheres que bebiam mais de 200 mililitros de leite por dia – menos de um copo – apresentavam maior risco de fraturas. Nesse caso, entretanto, os autores ponderaram que as descobertas não necessariamente indicavam uma relação de causalidade. Pode ser que pessoas mais propensas a fraturas tendam a beber mais leite, alertam.
Mas o cálcio é crucial durante a adolescência para o desenvolvimento da força óssea, diz Ian Givens, especialista em nutrição da Universidade de Reading, na Inglaterra.
“Se você não tem o desenvolvimento ósseo correto na adolescência, corre um risco maior de ter fraqueza óssea mais adiante na vida, principalmente mulheres após a menopausa, quando perdem os benefícios do estrogênio”, diz Givens.
Preocupações com a saúde
Outra preocupação com o leite nas últimas décadas são os hormônios que ele tem.
As vacas são ordenhadas durante a gravidez, quando seus níveis de estrogênio aumentam 20 vezes. Embora um estudo tenha vinculado esses níveis de estrogênio ao câncer de mama, de ovário e uterino, Laura Hernandez, que estuda biologia da lactação na Universidade de Wisconsin, nos EUA, diz que a ingestão de hormônios através do leite de vaca não é motivo de preocupação.
Afinal, “o leite humano também contém hormônios – faz parte de ser um mamífero”, diz ela.
Uma revisão mais recente de estudos que investigam se a quantidade de estrogênio consumida via leite é prejudicial não encontrou motivo para preocupação.
Os pesquisadores descobriram que os níveis de estrogênio só começam a afetar os sistemas reprodutivos dos ratos quando estão presentes em 100 vezes os níveis encontrados no leite de vaca. Os pesquisadores só detectaram um aumento nos níveis de estrogênio em camundongos fêmeas e uma diminuição dos níveis de testosterona em camundongos machos após a dosagem atingir mil vezes os níveis normais.
É muito improvável que os humanos sejam mil vezes mais sensíveis aos níveis de estrogênio no leite do que os ratos, diz o autor do estudo, Gregor Majdic, pesquisador do Centro de Genômica Animal da Universidade de Liubliana, na Eslovênia.
Estudos também descobriram uma ligação entre a ingestão de leite e doenças cardíacas, devido ao conteúdo de gordura saturada. Mas o leite integral contém apenas cerca de 3,5% de gordura, o semidesnatado, em torno de 1,5% e o leite desnatado, 0,3%. As bebidas sem açúcar feitas de soja, amêndoa, cânhamo, coco, aveia e arroz têm níveis mais baixos de gordura que o leite integral.
Em um estudo, os pesquisadores dividiram os participantes em quatro grupos com base na quantidade de leite que consumiam e descobriram que apenas aqueles que bebiam mais – quase um litro por dia – tinham um risco aumentado de doença cardíaca. A associação pode ser porque aqueles que bebem tanto leite não têm uma dieta saudável, diz Jyrkia Virtanen, epidemiologista nutricional da Universidade do Leste da Finlândia.
“Apenas uma ingestão muito alta de leite pode ser ruim, não há pesquisas sugerindo que a ingestão moderada seja prejudicial”, diz ele.
Também é possível que aqueles com intolerância à lactose possam beber pequenas quantidades de leite de vaca. Alguns especialistas argumentam que sintomas adversos – como inchaço e cólicas estomacais – são uma resposta ao acúmulo de lactose no corpo, e cada indivíduo tem um limiar diferente antes de sentir os sintomas.
Christopher Gardner, cientista de nutrição do Stanford Prevention Research Center, na Califórnia, realizou um estudo comparando os sintomas de pessoas com intolerância à lactose quando bebiam duas xícaras de leite de soja, leite cru ou leite comum todos os dias. Ele descobriu que muitos deles não apresentavam sintomas graves.
“Descobrimos que a intolerância à lactose é menos uma dicotomia do que uma coisa gradual, e que muitas pessoas podem tolerar quantidades modestas de laticínios”, diz ele.
A crescente demanda por alternativas
Embora existam muitas pesquisas analisando os efeitos do leite de vaca em nossa saúde, há menos pesquisas sobre alternativas ao leite.
Uma olhada no corredor de leite de qualquer supermercado sugere uma demanda crescente por essas alternativas, feitas com soja, amêndoas, castanha de caju, avelã, coco, macadâmia, arroz, aveia ou cânhamo. O ingrediente principal é processado e diluído com água e outros ingredientes, incluindo estabilizadores, como goma de gelana e goma de alfarroba.
O leite de soja é o melhor substituto para o leite de vaca em termos de proteína, pois é o único com conteúdo de proteína comparável. Mas as proteínas em bebidas alternativas podem não ser proteínas “verdadeiras”, diz Givens.
“Pode ser uma proteína de qualidade substancialmente mais baixa que o leite, que é um ponto crítico para crianças e idosos em particular, que têm uma necessidade absoluta de proteína de alta qualidade para o desenvolvimento ósseo”, diz ele.
Não há pesquisas que sugiram que possamos obter muita nutrição dos principais ingredientes dessas bebidas, diz Sina Gallo, cientista em nutrição do departamento de estudos nutricionais e alimentares da George Mason University, na Virgínia, EUA. Eles podem conter outros micronutrientes, ela acrescenta, mas você não obtém os mesmos benefícios de uma bebida de amêndoa que obteria se comesse amêndoas.
As alternativas ao leite geralmente são enriquecidas com os nutrientes que ocorrem naturalmente no leite de vaca, como o cálcio. Mas os cientistas não sabem se vitaminas e minerais enriquecidos nos dão os mesmos benefícios à saúde que os que ocorrem naturalmente no leite de vaca e afirmam que são necessárias mais pesquisas para estabelecer as consequências da adição de cálcio.
Nos EUA, no entanto, o leite de vaca é enriquecido com vitamina D, e as pesquisas sugerem que isso pode ter efeitos benéficos semelhantes ao obter a vitamina naturalmente da exposição ao sol.
No entanto, especialistas recomendam que não acreditemos que essas alternativas sejam iguais para crianças, diz a nutricionista Charlotte Stirling-Reed – mesmo quando fortificadas. “O leite de vaca é um alimento muito denso em nutrientes, e o leite vegetal enriquecido nem sempre cobre todos os nutrientes”, diz ela.
Stirling-Reed argumenta que precisamos de orientações de saúde pública sobre se bebidas alternativas podem ser usadas como substituto do leite de vaca para crianças e idosos.
“Mudar as crianças do leite de vaca para outras bebidas pode gerar um problema de saúde pública, mas ainda não temos muita pesquisa sobre isso.”
Também há preocupações sobre o que as alternativas ao leite contêm e o que elas não têm. Embora o leite de vaca contenha lactose, um açúcar que ocorre naturalmente, as alternativas ao leite geralmente contêm açúcar adicionado, o que é mais prejudicial à nossa saúde.
Decidir beber leite de vaca ou uma das muitas alternativas pode nos deixar confusos – em parte porque existem muitas opções. Escolher sua alternativa ao leite deve envolver analisar as informações nutricionais de cada uma e decidir qual bebida é melhor para você individualmente.
Alguém que não é intolerante à lactose, com alto risco de desenvolver osteoporose ou doença cardíaca, por exemplo, pode escolher o leite de vaca com baixo teor de gordura, enquanto alguém que se preocupa com o meio ambiente pode escolher aquele com o menor custo ambiental.
“Você pode decidir qual bebida combina com você e continuar a refinar sua dieta e tomar as decisões certas para o seu contexto”, diz Gardner.
Qualquer que seja sua decisão, você não estará perdendo nutrientes vitais se seguir uma dieta equilibrada. Na maioria dos casos, um substituto pode ser usado no lugar do leite. “Embora não seja necessário evitar o leite, também não é necessário que bebamos leite”, diz Virtanen.
“Ele pode ser substituído por outros produtos – não há um componente alimentar ou alimento absolutamente necessário para a nossa saúde.”
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Estudo feito em Campinas encontrou milhões de bactérias e fungos em panos de pia, panos de prato, rodinhos, ralos, lixeiras de pia e outros produtos. Micro-organismos podem causar de diarreia a infecção urinária. Pesquisa de Campinas analisa contaminação de 7 itens de pias de cozinhas; ranking
Se você é daqueles que acham que só trocar o saco da lixeirinha da pia, dar uma lavada rápida no paninho, na esponja e na tábua de carne são suficientes, fique atento aos riscos de contaminação cruzada na sua cozinha. Uma pesquisa feita em Campinas (SP) analisou esses e outros produtos e encontrou milhões de fungos e bactérias prejudiciais à saúde, que podem causar desde diarreia a infecção urinária.
O estudo durou três meses e foi conduzido pelo curso de biomedicina do Centro Universitário UniMetrocamp Wyden. Nove cozinhas de casas escolhidas aleatoriamente receberam as pesquisadoras para coleta de amostras de sete itens que ficam na bancada da pia.
Ranking da contaminação
Lixeira – 1,744 milhão de bactérias e 1.180 fungos
Esponja de lavar louça – 1,322 milhão de bactérias e 440 fungos
Ralo – 1,302 milhão de bactérias e 801 mil fungos
Pano de pia – 1,200 milhão de bactérias e 4 mil fungos
Pano de prato – 975 mil bactérias
Rodo de pia – 242,7 mil bactérias e 15.750 fungos
Tábua de carne – 16,4 mil bactérias e 8.170 fungos
Milhões de fungos e bactérias encontrados em itens que ficam sobre a pia de cozinhas domésticas. Pesquisa foi feita em Campinas.
Patrícia Teixeira/G1
Alguns dos micro-organismos identificados pela pesquisa foram E.Coli, Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae, Enterobacter aerogenes, Candida e Rhodotorula.
“Se você esquece de lavar as mãos, isso acaba passando para o alimento. Se muitas vezes você vai consumir aquele alimento cru, que é uma verdura, um legume, que não vai sofrer cozimento, essas bactérias vão ser ingeridas por você durante a alimentação, e pode causar problemas desagradáveis”, afirma a orientadora da pesquisa e doutora em ciências de alimentos Rosana Siqueira.
Pessoas com imunidade baixa, crianças e idosos estão mais sujeitos a problemas de saúde por conta da exposição aos micro-organismos, segundo o estudo.
Lixeira de pia de cozinha e rodo podem conter bactérias e fungos, aponta estudo de Campinas.
Arquivo pessoal
Os sintomas de contaminação pelos agentes identificados são:
diarreia
febre
vômitos
dores abdominais
intoxicação alimentar
dor de garganta
infecção urinária
Tábua de alimentos e ralo de pia merecem atenção quando o assunto é contaminação na cozinha. Pesquisa de Campinas encontrou bactérias e fungos.
Patrícia Teixeira/G1
Ideal é lixeira no chão
A lixeirinha chamou a atenção pela falta de higiene. Foram analisadas as partes externa, interna e a tampa.
“Às vezes a gente passa a semana, meses, sem limpar o lixinho com água sanitária ou álcool, por falta de tempo e por não saber que tem tanto micro-organismo. Às vezes fica úmido e favorece bastante o crescimento. A maioria das pessoas acaba só trocando o saquinho”, afirma a graduanda Fernanda Baptista.
Fernanda também explica que o ideal é que as cozinhas domiciliares tenham a lixeira no chão, com pedal, para evitar o uso das mãos. Se for na pia, precisa ser bem limpa.
“O lixinho fica no local onde é feita a manipulação do alimento, então a gente pode contaminar a mão e, assim, contaminar o alimento”, explica a aluna Sarah Stocco, que também realizou as coletas e análises. A terceira integrante do estudo é a graduanda Julie Aki Mashima.
Análise de amostra retirada de um dos itens contaminados na cozinha durante pesquisa feita em Campinas.
Patrícia Teixeira/G1
Hora certa de descartar
Cada item deve ser observado para verificar o momento de fazer o descarte. O ralo precisa ser lavado com água quente e, em caso de ficar muito desgastado, precisa trocar, segundo orientação da professora Rosana.
“A tábua, quando você vê a presença de ranhuras, manchas, está na hora de trocar. As bactérias podem ficar acumuladas nessas ranhuras. E você usa para carne, para legumes”.
“As bactérias não resistem muito à água quente”, explica.
Aquele paninho “limpa tudo” deve ser descartado após o uso. Rosana orienta que, se for usado, ele seja recortado em tamanhos pequenos.
“A gente acaba deixando úmido, isso favorece o desenvolvimento de micro-organismos. A gente não usa só na pia, mas para limpar o fogão e outros objetos. A gente fica trocando de lugar, da pia vai para a mesa, da mesa para o fogão”.
O pano de prato usado para secar a louça não deve ser o mesmo que enxuga as mãos. “Ficou úmido, já troque seu pano de prato para não ter o problema de contaminação”.
Pano de prato, esponja e paninho de pia concentram fungos e bactérias se não forem higienizados, segundo pesquisa de Campinas.
Patrícia Teixeira/G1
Tanto o rodo quanto a esponja devem ser limpos e guardados secos. Rosana também alerta para que a louça não fique muito tempo acumulada na pia, principalmente em dias de calor. A alta temperatura aumenta a proliferação de fungos e bactérias.
“Esses micro-organismos estão presentes no nosso dia a dia, na água, no solo, nos alimentos que a gente traz para a nossa casa. O importante é controlar esse crescimento”, ressalta a pesquisadora.
Como evitar a contaminação cruzada
Higienização dos objetos precisa ser regular para reduzir a proliferação de bactérias e fungos na cozinha.
Lixo deve ser retirado todos os dias da lixeira, principalmente à noite, para evitar ficar muito tempo armazenado.
Sempre que possível, lavar a lixeira e a tampa (com água quente ou água sanitária) e deixar secar antes de colocar o saquinho.
Ferver a esponja de lavar louça, ou colocar por 1 minuto em um pote de vidro com água no micro-ondas.
Lavar tábua de carne, pia e ralo com água quente.
Trocar os produtos de limpeza eventualmente. O uso excessivo do mesmo produto pode gerar maior resistência dos micro-organismos, que ficam imunes com o tempo.
Da esq. para dir., a graduanda Fernanda Baptista, a orientadora Rosana Siqueira e a graduanda Sarah Stocco, da UniMetrocamp, em Campinas.
Patrícia Teixeira/G1
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Velocidade O primeiro ano do governo Bolsonaro se aproxima do fim mantendo o respeito do empresariado pela equipe econômica. Mas na opinião de João Amoêdo, fundador do partido Novo, preferido do mercado na eleição de 2018, as reformas administrativa e tributária e as privatizações poderiam ter sido aceleradas. Amoêdo diz que Paulo Guedes derrapou ao falar em AI-5 e recomenda a prática de citar fontes de dados divulgadas em redes sociais para dar noção de estabilidade.
Leia mais (12/07/2019 – 02h31)


Companhia enfrenta 42.700 ações naquele país que relacionam o pesticida a câncer. É o agrotóxico mais vendido no mundo. Glifosato é usado em agrotóxicos nas plantações de soja, milho e algodão
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A alemã Bayer chegou a um acordo com reclamantes para adiar seus próximos dois processos nos Estados Unidos relacionados a alegações de que pesticidas baseados em glifosato tenham efeito causador de câncer.
Isso garante à companhia mais tempo para negociar possíveis acordos.
Glifosato é o agrotóxico mais vendido do mundo
Em São Francisco, Justiça associou glifosato a câncer
Há 11 anos, Anvisa está reavaliando o produto
Espera-se que a empresa, que enfrenta 42.700 processos nos EUA, eventualmente pague para deixar os litígios. Analistas estimam um futuro acordo em torno de US$ 8 bilhões a US$ 12 bilhões.
A Bayer acertou com um dos reclamantes um adiamento de cerca de seis meses em um caso no Tribunal Superior da Califórnia do condado de Lake, que estava marcado para 15 de janeiro, disse um porta-voz da empresa.
Um segundo caso, que teria início em 21 de janeiro, também na Califórnia, foi adiado para uma data ainda a ser determinada.
A Bayer afirmou que os adiamentos geram mais tempo para que a empresa e os representantes dos reclamantes “se engajem construtivamente no processo de mediação”.
Outros processos com início marcado para este ano já haviam sido postergados.
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