Sem categoria

Uma parceria feita entre o Waze -aplicativo de serviços de mapas com informação em tempo real- e a companhia de logística VLI vai informar aos motoristas alertas de cruzamentos ferroviários no mapa do app. O recurso é simples de ser utilizado: quando o motorista traçar um caminho que tenha algum cruzamento de linha férrea ele […] … Leia post completo no blog
Leia mais (11/12/2019 – 07h38)


Conecte SUS vai permitir ao usuário da saúde pública acessar por meio do celular ou computador informações sobre vacinas, exames, internações e outros serviços utilizando apenas o CPF. Conecte SUS é lançado em Alagoas, no Palácio do Governo, com a participação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (o 3º a partir da esquerda)
Michelle Farias/G1
O ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta lançou em Alagoas, nesta segunda-feira (11), o Conecte SUS, programa que vai permitir aos usuários da saúde pública em todo o país acessar por meio do celular ou computador informações sobre vacinas que já tomou, exames, internações e outros serviços, utilizando apenas o CPF.
Alagoas é o primeiro estado a receber o projeto, que conta com a tecnologia para produzir e disponibilizar informações confiáveis da saúde pública. Serão investidos R$ 21,1 milhões até 2020 na implantação do sistema.
“O Conecte SUS vai possibilitar ao cidadão saber toda a sua trajetória no SUS. Um problema que temos é que muita gente não sabe qual vacina tomou porque não está com o cartão de vacina. Com o programa, as pessoas vão saber quais vacinas foram aplicadas, os atendimentos realizados, exames, internação”, afirmou o ministro Luiz Henrique Mandetta.
Dos R$ 21,1 milhões que serão investidos para o auxílio à Informatização da Atenção Primária, R$ 2,1 milhões vão ser aplicados ainda neste ano, ficando o restante do investimento para o ano seguinte.
Além do apoio financeiro, o Ministério vai realizar treinamento para uso do programa e suporte para sanar dúvidas do dia a dia. Os gestores locais serão os responsáveis por gerenciar os recursos que serão investidos.
Além do Estado, os municípios também vão poder fazer adesão do programa para informatização das unidades de saúde da Atenção Primária.
Na próxima terça (12), haverá uma reunião em Alagoas para começar dar início à implementação do programa.
“Amanhã já tem uma reunião técnica para implementar já o programa. No curto prazo, nós já teremos muita informação. A gente espera que em dezembro ou janeiro o cidadão já tenha todo o histórico vacinal. E nós escolhemos o CPF como documento oficial, então nós vamos acabar com o cartão SUS em breve”, disse o ministro da Saúde.
O governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), participou do lançamento do programa.
“É muito gratificante ter Alagoas como pioneiro desse projeto com essa magnitude. Não vamos medir esforços para atender às expectativas do ministro da saúde”, disse Renan Filho.
Veja mais notícias da região no G1 Alagoas


A britânica-paquistanesa Saj Dar recebeu um prato descartável de sua família, que temia que sua doença fosse infecciosa. A britânica-paquistanesa Saj Dar diz que seus parentes mais íntimos começaram a evitá-la por causa do câncer
Saj Dar/Arquivo pessoal
Saj Dar estava grávida de seu primeiro filho quando passou a mão sobre o peito direito e sentiu um nó. Ela sabia o que aquele tecido endurecido significava. E ela sabia que não poderia demorar a fazer o teste. Mas o medo de ser tratada “como uma leprosa” por sua comunidade paquistanesa local na cidade de Slough, em Berkshire, a dominou.
Por semanas, ela se forçou a não pensar no assunto e se recusou a fazer um exame.
Somente quando sua mãe reservou para ela uma consulta, a mulher de 32 anos foi testada e disseram que ela não tinha apenas um nódulo cancerígeno, mas três. Ela foi aconselhada a interromper a gravidez por causa dos efeitos do tratamento invasivo, mas recusou-se, e acabou perdendo o bebê.
Dez anos depois, Dar relembra que recebeu um prato descartável durante uma reunião de família por causa do medo do dono da casa de que o câncer fosse infeccioso.
“Você sabe que no fundo eles estão pensando: ‘Não podemos usar os mesmos pratos que ela'”, diz ela.
“Você se sente como alguém excluído. A sala estava cheia de pessoas, mas era como se eu estivesse sozinha.”
Dar, mãe de três, se sentiu isolada
Saj Dar/Arquivo pessoal
Em outra ocasião, Dar ouviu um de seus parentes na cozinha dizendo: “Certifique-se de lavar os copos adequadamente”.
Ela atribui esse estigma à falta de educação e se preocupa que apesar da geração mais jovem ser mais esclarecida, muitos foram condicionados pelos mais velhos.
Dar era casada desde 1999 e, tendo quebrado a convenção ao recusar um casamento arranjado em nome do amor, pensou que ficaria com ele “para sempre”.
No entanto, ela acredita que o diagnóstico de câncer contribuiu para um “colapso” em seu relacionamento.
“Estávamos morando juntos, mas não como marido e mulher”, diz Dar.
O exame precoce pode ter um papel fundamental na detecção do câncer antes que seja tarde demais, mas os dados da instituição de caridade Macmillan mostram que as taxas de testes entre os negros e asiáticos são mais baixas do que na população branca. A instituição de caridade culpa a falta de conversa sobre câncer, barreiras linguísticas e “sensibilidades culturais”.
‘Amaldiçoada?’
Anisha Vanmali, de Leicester, está com um câncer terminal. “Sinto que muitas pessoas não querem se aproximar de mim”, diz ela.
“Vejo pessoas sussurrando e quando olho para elas, elas desviam o olhar. E isso acontece o tempo todo.”
“O carma é algo forte entre nós, então eu sempre me senti como se tivesse feito algo para estar nessa posição. Imaginava que minha família me enviaria uma mensagem dizendo ‘como vai você?’ Não tenho notícias deles há anos. A comunidade asiática acha que não pode contrair câncer, mas isso não é verdade, infelizmente.”
A chefe da organização Comunidades de Câncer do BME, Rose Thompson, é uma paciente com câncer que perdeu sua mãe, irmã gêmea e irmã mais nova para o câncer de mama.
Certa vez, ela, que é radiologista experiente, foi informada sobre um homem que achava que sua esposa poderia infectá-lo com câncer “se ela estivesse resfriada e espirrasse”.
Thompson diz que a conscientização das pessoas melhorou um pouco ao longo dos anos, mas esses mitos sobre o câncer persistem entre certas “comunidades fechadas onde as pessoas não têm acesso à informação”.
Falta de diversidade
E a insensibilidade da comunidade médica não ajuda. Após a mastectomia, foi oferecida a Thompson uma prótese rosa, em vez de preta.
“Se você fosse uma pessoa branca com uma perna preta, como se sentiria?” ela diz.
A ativista de Nottingham culpa a “grande falta de diversidade” das forças de saúde e de caridade.
“Até que você tenha pessoas que valorizam a diversidade na organização, isso continuará acontecendo”, diz ela.
“Ela precisa ser incorporado nas políticas e procedimentos dos serviços de saúde”.
A Macmillan lançou um programa piloto em Reading para resolver o problema, empregando 25 “ativistas do câncer” para informar as pessoas da mesma origem étnica sobre os riscos da doença.
“Sabemos que existe uma falta de conscientização e compreensão do câncer entre as minorias étnicas e as comunidades carentes no sul de Reading”, disse o Dr. Kajal Patel, chefe do departamento de câncer do centro de saúde Berkshire West Clinical Commissioning Group.
“Muitas vezes isso significa que quando as pessoas dessas comunidades são diagnosticadas com câncer, é tarde demais, levando a taxas de sobrevivência mais baixas. Além do mais, elas tendem a não acessar os cuidados com o câncer que estão disponíveis para elas e de que precisam”.

Carteira assinada O pacote de medidas que o governo apresenta nesta segunda (11) para tentar estimular o emprego terá presença ostensiva de industriais. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, diz que vai a Brasília acompanhado de cem lideranças empresariais para prestigiar a cerimônia. No setor de serviços, porém, desastre é a palavra usada para definir a nova iniciativa. “Vai criar bolsões de benefícios”, diz Luigi Nese, vice-presidente da CNS (Confederação Nacional dos Serviços).
Leia mais (11/11/2019 – 02h31)


Alho, maçã, brócolis, limão e abacate são alguns deles; órgão é um dos mais importantes do corpo humano. Brócolis é rico em vitamina A
Laurence Simon/TIPS/Photononstop/AFP
O fígado é um dos órgãos que mais desempenha funções.
É responsável por filtrar o sangue de substâncias nocivas, como álcool e drogas, usa o açúcar como fonte de energia quando seus níveis estão baixos e é uma fonte de suprimento de ferro para o corpo.
E, assim como os excessos podem causar sérios danos a esse órgão (como cirrose ou insuficiência hepática devido ao consumo excessivo de álcool), existem alguns alimentos que podem ajudar a melhorar seu funcionamento.
“Meu conselho é evitar alimentos hepatotóxicos, como gorduras saturadas, frituras e álcool”, diz a nutricionista argentina Magdalena Boccardo à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.
Confira abaixo cinco alimentos que podem ajudar a melhorar a saúde de seu fígado.
1. Alho
O alho tem propriedades que ajudam a regular e melhorar a função hepática.
“O alho possui propriedades anti-inflamatórias que podem ajudar a regular o trabalho do fígado”, diz a nutricionista Grace Fjeldberg no site da Clínica Mayo.
“É aconselhável esmagá-lo e consumi-lo para tirar proveito de suas propriedades”.
O alho, de acordo com especialistas, também é recomendado por seu alto teor de alicina, o que ajuda a limpar o fígado.
2. Maçã
Graças ao seu alto teor de fibras, a maçã também é um ótimo aliado para cuidar do fígado.
“É importante cuidar desse aspecto, porque, entre outras coisas, as proteínas formadas no fígado transportam ferro, vitamina A e cobre para o resto do corpo, no qual nutrientes são necessários”, diz à BBC News Mundo a nutricionista colombiana Sandra Milena Cardona.
Maçã é considerada um dos alimentos mais completos
Jenny Russell/Unsplash
Outro atributo da maçã é que ela contém uma grande quantidade de vitamina C, que também atua como antioxidante e protege as células contra danos externos.
Vários especialistas recomendam verduras, para promover maior ação das fibras.
3. Brócolis
O brócolis pode ser um dos alimentos mais odiados pelas crianças e até por alguns adultos, mas não se pode negar que possui grandes propriedades nutricionais.
No caso do fígado, ajuda a neutralizar elementos nocivos que podem afetar seu funcionamento .
“O brócolis é importante porque ajuda a reduzir a síntese de colesterol”, disse Cardona.
Especialistas também indicam que é uma rica fonte de vitamina A, o que impede o envelhecimento das células.
4. Limão
O limão é outra fruta repleta de vitamina C, o que contribui muito para o fígado.
“O suco de limão contém uma grande quantidade de vitamina C concentrada. Um pequeno limão contém um terço da quantidade diária recomendada dessa vitamina”, diz Jill Corleone, nutricionista da Universidade de Nova York (EUA).
Ela destaca um estudo publicado pela US National Health Library que descobriu que o suco extraído dessa fruta possui muitos “antioxidantes que reduzem a inflamação, eliminam os radicais livres e melhoram a capacidade do organismo de processar glicose”.
“Existem vários estudos que o confirmam: o limão contém vitamina C, flavonóides, carotenóides e outros compostos bioativos que combatem os danos oxidativos e protegem o fígado”, acrescenta Corleone.
5. Abacate
O abacate foi batizado como o “ouro verde” e vem se tornando um dos alimentos mais populares do planeta.
Mas também pode ser um aliado quando se trata de defender o fígado de possíveis danos.
Vários estudos indicam que o abacate é uma grande fonte de gorduras saudáveis, o que pode ajudar na proteção do fígado e na eliminação de substâncias nocivas ou desnecessárias.
“O melhor conselho é que deve haver uma dieta equilibrada e saudável que forneça todos os nutrientes necessários para o fígado”, diz a nutricionista Cardona.
“Uma das principais dicas é o consumo de gorduras saudáveis, como abacate, azeite, nozes e sementes”, conclui.
No entanto, na mesma medida, Cardona ressalta que devemos ter muito cuidado com o consumo em excesso desse tipo de gordura pois, embora saudável, pode causar o chamado ‘fígado gorduroso’, também conhecido como esteatose hepática ou doença hepática gordurosa.
Trata-se de uma condição reversível na qual grandes quantidades de triglicéridos (um tipo comum de gordura) se acumulam de forma anormal nas células do fígado formando grandes vesículas.


Fibra, cafeína, remédios: um estudo das fezes de toda a Austrália demonstrou diferenças significativas no consumo de comunidades ricas e pobres. Cítricos são indicadores de uma dieta saudável, assim como fibras
Pixabay
Um laboratório da Universidade de Queensland, na Austrália, está armazenando algumas amostras incomuns: as fezes de mais de um quinto da população do país.
As amostras, coletadas em estações de tratamento de esgoto em todo o país, congeladas e enviadas pelos Correios para pesquisadores da universidade, foram descritas como um tesouro de informações sobre os hábitos alimentares e de consumo de medicamentos de diferentes comunidades.
À frente da pesquisa estão Jake O’Brien e Phil Choi. Eles coletaram essas amostras durante o último censo nacional da Austrália, em 2016 e, no primeiro estudo do tipo, analisaram as fezes para medir diferentes hábitos alimentares e de estilo de vida.
Em linhas gerais, os pesquisadores descobriram que, quanto mais rica a comunidade, mais saudável é sua dieta. Nos estratos socioeconômicos mais altos, o consumo de fibras, cítricos e cafeína era maior. Nos mais baixos, medicamentos prescritos apresentaram uso significativo.
Retrato do consumo
O estudo tentou colocar em prática aquilo que os pesquisadores há algum tempo pressupõem: as fezes fornecem informações valiosas sobre o consumo de alimentos e medicamentos de uma comunidade.
Choi e O’Brien argumentam que, com esse método, as equipes podem ter indicações quase em tempo real sobre mudanças nos hábitos, o que pode ajudar a informar as políticas e a comunicação referentes à saúde pública.
Extrair informações sobre as comunidades examinando seus dejetos é chamado epidemiologia das águas residuais. A prática existe há cerca de duas décadas e é usada predominantemente para monitorar o uso de drogas ilícitas nas populações. Esse método tem a vantagem de fornecer informações mais objetivas sobre uma área mais específica.
Alguns estudos já testaram o uso de drogas legais, como a nicotina; outras equipes de pesquisa estão usando esse tipo de material na detecção precoce de surtos de doenças.
Mas o uso dos dejetos como indicador da alimentação tinha ficado, até agora, majoritariamente na teoria.
Choi diz que, quando perguntadas sobre coisas como uso de drogas ou alimentos consumidos, as pessoas às vezes relatam hábitos mais saudáveis ​​do que realmente têm.
“Você geralmente encontra em pesquisas que as pessoas relatam excessivamente o consumo de alimentos saudáveis ​​e um consumo baixo de itens como salgadinhos”, diz Choi.
A análise de águas residuais pode ser útil principalmente de duas maneiras, diz O’Brien. A primeira consiste em identificar disparidades entre comunidades; e a segunda, em rastrear mudanças nessas comunidades ao longo do tempo.
“Se você tentar implementar algo que espera gerar uma mudança positiva, precisará medir o sucesso dessas intervenções”, diz ele.
A correlação da cafeína
Encontrar exatamente o que poderia ser testado foi o desafio inicial para pesquisadores. Afinal, os dejetos contêm não apenas urina e fezes, mas frequentemente também resíduos de produtos de higiene e beleza, restos de comida e produtos industriais.
Assim, a equipe precisou encontrar biomarcadores específicos relacionados a alimentos que são apenas ou predominantemente produzidos pela excreção humana.
Cafeína se mostrou mais presente nas águas residuais dos australianos que vivem em bairros com aluguéis mais altos
Creative commons
O estudo utilizou dois biomarcadores associados ao consumo de fibras e um relacionado à ingestão de cítricos — itens da alimentação considerados característicos de uma dieta saudável.
Em todos estes indicadores, as comunidades com os melhores níveis socioeconômicos apresentavam forte correlação com o consumo. Em outras palavras, de um modo geral, as áreas mais ricas tinham dietas mais ricas em fibras e cítricos.
Também se constatou que a ingestão de cafeína é maior nos estratos superiores, especificamente em áreas onde o preço do aluguel é alto — o que já foi reforçado por outros estudos que mostraram que café expresso e moído são mais frequentemente consumidos por pessoas com no mínimo diploma de graduação.
Os pesquisadores apontam que, entre os australianos, os mais ricos têm mais motivações culturais e econômicas para consumir mais café.
Na outra ponta, as comunidades mais pobres apresentaram mais resíduos de medicamentos, em particular o tramadol (analgésico à base de opioides); atenolol (remédio para pressão arterial); e pregabalina (anticonvulsivo). No entanto, as duas últimas foram também associadas às populações mais velhas, que também podem tender a ter uma renda mais baixa.
Verificou-se que outros analgésicos, medicamentos e antidepressivos estão relacionados a menor nível socioeconômico, mas não na mesma dimensão.
Os pesquisadores esperam repetir a pesquisa no próximo censo, obtendo, dessa maneira, informações sobre se alguma mudança pode estar acontecendo e que outros métodos de pesquisa ainda podem ser descobertos ou aprimorados.
Por exemplo, neste estudo, o uso de antibióticos é distribuído de maneira bastante uniforme entre diferentes grupos socioeconômicos, indicando que o sistema de saúde subsidiado pelo governo está fazendo seu trabalho; caso essa distribuição comece a mudar em pesquisas futuras, isso poderá ser constatado em novas rodadas.
Desigualdade refletida na saúde
O estudo confirma um fenômeno global conhecido como gradiente social da saúde, em que bons indicadores, como relacionados ao tabagismo e à obesidade, estão associados a melhores níveis socioeconômicos.
Embora os australianos acreditem que o país é igualitário, a desigualdade, conforme indicado pelo estudo das águas residuais, é um problema ainda não solucionado.
Um relatório de 2018 constatou que a Austrália apresentava níveis de desigualdade de renda acima da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), embora apareça como mais igualitária que o Reino Unido e os EUA.
Um australiano entre os 20% mais ricos tem cinco vezes mais renda do que alguém que vive no quintil inferior. E, de um modo geral, mais dinheiro significa uma maior capacidade de comprar alimentos perecíveis, como frutas e legumes; uma maior escolaridade indica maior domínio de informações sobre nutrição.
Mas o estudo encontrou uma exceção significativa nessa relação entre classe e dieta: áreas com uma alta proporção de domicílios que não falam inglês também apresentaram taxas relativamente altas de consumo de fibras e cítricos, apesar de terem indicadores socioeconômicos inferiores. Isso possivelmente reflete a forte presença de alimentos naturais na dieta tradicional de imigrantes.
Catherine Bennett, diretora de epidemiologia da Universidade Deakin, em Victoria, diz que o estudo de Queensland é interessante por aprimorar a epidemiologia das águas residuais. Os pesquisadores também deixaram claras suas limitações, avalia ela.
“Tudo o que foi dito é o que chamamos de estudo ecológico em epidemiologia. O termo quer dizer que não estamos usando dados individuais, mas coletivos”, diz Bennett.
A pesquisadora lembra que esses estudos já foram usados, por exemplo, para verificar se houve redução no consumo da nicotina após a introdução de embalagens padronizadas de cigarro na Austrália.
“O que você não sabe é se todos os fumantes estão fumando menos ou se há menos fumantes na comunidade. Sempre precisamos ser um pouco cautelosos ao analisar esses estudos, porque trata-se de uma associação no sentido mais amplo, não é possível estabelecer relações rígidas de causalidade.”
Os estudos sobre nicotina, assim como a pesquisa recente sobre dieta e medicamentos, são validados no conjunto, com outras pesquisas.
“É uma oportunidade realmente interessante, desde que não tentemos interpretar demais os dados”, diz Bennett.
Após a validação dos dados, acrescenta, o método “é uma maneira útil de monitorar de perto o que está acontecendo nas camadas da população”.


Geriatra e juíza, ambas doutoras em bioética, discutem o que é ter autonomia até o fim da vida Não uma palestra, e sim uma roda de conversa. A geriatra Claudia Burlá e a juíza Maria Aglaé Tedesco Vilardo criaram uma apresentação instigante, do começo ao fim, no GeriatRio 2019, que já foi objeto das colunas de terça e quinta-feira. “Meu corpo velho, minhas regras” era o título dessa quase “provocação”, já que o envelhecimento é pautado pelo processo da perda de identidade dos indivíduos. No entanto, em qualquer momento da trajetória de um ser humano, sua vontade deveria ser respeitada. A médica Claudia Burlá iniciou os trabalhos dizendo que o bate-papo seria baseado em três eixos: autonomia, capacidade decisória em relação aos cuidados na velhice e a possibilidade de descontinuar os tratamentos que estejam sendo feitos. Afirmou ter buscado inspiração na pintora Frida Kahlo, que morreu jovem, com apenas 47 anos, depois de suportar dores atrozes resultantes de uma poliomielite e de um grave acidente de trânsito.
“O nome Frida resume o que se relaciona ao processo de envelhecimento. O F é de funcionalidade, a potência do corpo que, com a velhice, vai decaindo e abrindo a guarda para que doenças ocorram e haja um declínio progressivo. O R é de resiliência, que implica aceitação e adaptação em relação às novas situações e restrições. O I é de insuficiência, quando se caminha para um quadro irreversível, com um dia a dia de limitações até a dependência total. O D é de dignidade, o desejo de todo ser humano e que pode ser comprometido ao longo da nossa jornada. Por fim, o A é de autonomia que, após a saúde plena, é o maior patrimônio que temos. Significa viver de acordo com minhas regras e meus valores. A demência é um processo que pode durar de dois a 20 anos, ceifando o entendimento da pessoa em relação ao que está acontecendo em seu entorno. É de uma perversidade terrível, porque tira do indivíduo a possibilidade de expressar o quer. Portanto, a grande questão é como garantir que sejamos atendidos em nossos desejos no fim da vida”, enfatizou a geriatra.
Da esquerda para a direita, a juíza Maria Aglaé Tedesco Vilardo, o geriatra Daniel Azevedo, mediador da conversa, e a médica Claudia Burlá
Mariza Tavares
Para uma plateia de profissionais da saúde, a juíza Maria Aglaé Vilardo fez questão de mostrar que temos leis – não uma, mas várias – que já dispõem sobre a questão, garantindo que a decisão seja da pessoa, e não de terceiros. “O Estatuto do idoso, em seu artigo 17º., é claro: ao idoso que esteja no domínio de suas faculdades mentais é assegurado o direito de optar pelo tratamento de saúde que lhe for reputado mais favorável”, explicou. Se o idoso não estiver em condições de fazê-lo, essa função é do curador, no caso de curatela; em seguida, dos familiares, quando não houver curador ou este não puder ser contatado em tempo hábil; e depois ao médico, quando ocorrer iminente risco de vida e não houver tempo hábil para consulta a curador e familiar. “O médico vem em último lugar!”, ressaltou a juíza, que citou também o Código de Ética Médica (resolução número 2.217, de 2018): “o artigo 24 do Capítulo IV diz que é vedado ao médico deixar de garantir ao paciente o exercício do direito de decidir livremente sobre sua pessoa ou seu bem-estar, bem como exercer sua autoridade para limitá-lo. A recusa terapêutica é um direito do paciente a ser respeitada pelos médicos e é importante afastar a cultura da judicialização. Inclusive, se o idoso está bem cuidado e protegido, não há razão para assoberbar o Judiciário com ações de curatela, mesmo com comprometimento cognitivo”.
Ela afirma entender o sentimento de solidão do médico na hora de tomar uma decisão associada à terminalidade da vida do paciente. Além do medo de errar, a maioria sente-se insegura em relação ao amparo da lei, mas sua apresentação foi justamente mostrando que esse respaldo existe. E mais: acrescentou que o Artigo 5º. da Constituição põe no mesmo patamar a inviolabilidade do direito à vida e da liberdade. As perguntas que todos devem se fazer são: você sempre tomará as decisões sobre o seu corpo? Ou prefere transferir para outra pessoa essas decisões, mesmo que isso possa representar um peso enorme para um ente querido? São questões incômodas porque nos lembram de nossa finitude, mas ignorá-las não mudará o destino que cabe a cada um de nós. Entretanto, uma diretiva antecipada de vontade pode fazer diferença: quando o corpo for velho, mas quisermos que nossas regras valham.