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Comunidade acadêmica aponta espécie de diáspora que vem preocupando comunidade científica nacional, por causa das consequências disso para o desenvolvimento do Brasil. Comunidade acadêmica aponta espécie de diáspora que vem preocupando comunidade científica nacional, por causa das consequências disso para o desenvolvimento do Brasil
Cemile Bingol/Getty Images via BBC
Os jovens pesquisadores brasileiros Bianca Ott Andrade, Eduardo Farias Sanches, Gustavo Requena Santos e Renata Leonhardt têm mais em comum do que apenas o pouco tempo de carreira e a nacionalidade.
Todos são doutores recentes e resolveram deixar o país em busca de melhores oportunidades para desenvolver seu trabalho em um ambiente mais favorável à ciência. Eles seguem uma tendência, não registrada nas estatísticas oficiais, mas que aparece nos muitos relatos de migração de talentos para outros países que vem aumentando, conforme pesquisadores chefes de grupos no país e jovens que foram embora, ouvidos pela BBC Brasil. Uma espécie de diáspora de cérebros, que vem preocupando a comunidade científica nacional, por causa das consequências disso para o desenvolvimento do Brasil.
Não há dados oficiais sobre esta fuga, porque os jovens doutores que deixam o país o fazem com bolsas das universidades ou centros de pesquisa do exterior que os contratam, e não das instituições brasileiras, como a Capes ou o CNPq.
A pesquisadora Ana Maria Carneiro, do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (NEPP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está iniciando uma pesquisa pesquisa que tentará entender as trajetórias de migração da diáspora brasileira de Ciência, Tecnologia e Inovação e também as motivações e locais de inserção. “Entretanto, não há fontes de dados sistemáticas que permitam mensurar o tamanho deste fenômeno, pois é necessário ter informações sobre a saída, local de estabelecimento, tipo de inserção profissional e perfil sociodemográfico, especialmente a escolaridade”, explica.
Está prevista no projeto a realização de um levantamento sobre o fenômeno, mas provavelmente não haverá informação quantitativa exaustiva que permita afirmar quantos brasileiros de alta qualificação vivem no exterior e se houve um movimento de ampliação, diz. “Será possível, no entanto, ter pistas qualitativas sobre a migração de pessoas altamente qualificadas.”
Há alguns números de outras fontes, entretanto, que podem lançar luz sobre o problema. Embora não discrimine por profissão ou ocupação a saída definitiva de brasileiros para a o exterior, a Receita Federal mostra que o número passou 8.170 em 2011 para 23.271 em 2018, ou crescimento de 184%. Em 2019, até novembro, 22.549 pessoas fizeram declaração de saída definitiva do país. O crescimento foi mais acentuado a partir de 2015, quando o número foi de 14.981. Em 2016, pulou para 21.103, crescendo para 23.039 em 2017.
Entre esses migrantes, estão muitos cientistas, de acordo com o relato de acadêmicos ouvidos pela BBC News Brasil.
Segundo o geólogo Atlas Correa Neto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) “é um dreno geral”, que inclui doutores mais antigos além de candidatos ao mestrado e também ao doutorado. Não se trata apenas de pessoas indo para realizar um curso, uma especialização ou realizar um projeto de pesquisa.
“Trata-se de saída em definitivo”, diz. “Quem tem possibilidade está indo, mesmo sem manter a ocupação de cientista. Esse movimento não se restringe à área tecnológica e também afeta as ciências sociais. Aliás, se eu pudesse, se tivesse condições financeiras e sociais adequadas, iria embora também.”
Temendo ficar desempregada, bióloga Bianca Ott Andrade mudou-se para os Estados Unidos, onde faz pós-doutorado na Universidade do Nebraska-Lincoln
Arquivo Pessoal via BBC
Debandada em áreas tecnológicas
De acordo com o pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luís da Cunha Lamb, que atualmente é secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia do seu Estado, o fenômeno é mais intenso nas áreas que ele chama de “portadoras de futuro e com impacto econômico visível”.
“Notadamente em ciência da computação, algumas áreas das engenharias, biotecnologia e medicina, por exemplo”, diz. “Em particular, com o crescimento e o impacto da inteligência artificial em todas as atividades econômicas, os profissionais desta área têm oportunidades no mundo inteiro. Estamos perdendo jovens em áreas científicas, que são portadoras de futuro. Mundo afora, dominar setores como computação, estatística e matemática tem muito valor no mercado.”
O biólogo Glauco Machado, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), também enumera algumas razões pelas quais a saída de pesquisadores está ocorrendo.
“Ela tem a ver com a redução do número de bolsas, o baixo valor das de mestrado e doutorado, que não são reajustadas há vários anos, e o pessimismo em relação a uma futura contratação — especialmente para as áreas em que o principal empregador é a própria academia -, que é fruto da recessão econômica que aflige o país há pelo menos cinco anos”, diz.
Em nota, a Capes informou que há 7.699 bolsas congeladas e um total de 87.018 bolsas ativas. O CNPq, por sua vez, suspendeu em agosto, 4,5 mil bolsas que não estavam sendo usadas, segundo a instituição.
Ele acrescenta que, ao mesmo tempo, é importante olhar para o que está acontecendo fora do Brasil.
“Várias universidades no exterior estão criando programas de atração de talentos internacionais”, diz. É o caso, por exemplo, das universidades de Genebra, na Suíça, e Saskatchewan, no Canadá.
“O investimento em pesquisa e tecnologia tem crescido em vários países desenvolvidos e as oportunidades de bolsas e eventualmente trabalho em algumas áreas são maiores no exterior do que aqui. Portanto, sair do país é algo bastante atrativo para um profissional no início de sua formação.”
Eduardo Farias Sanches, de 39 anos, que o diga. Ele considera que teve sorte de receber um convite para ir embora em um momento oportuno, “devido ao incessante ataque do governo federal às universidades (especialmente as públicas) e o corte de despesa em pesquisa e desenvolvimento, o que é uma lástima para a nova geração de pesquisadores que, assim como eu, está tentando se firmar no meio científico”.
“Fico muito triste com essa situação, ao ver que muitos bons pesquisadores não terão um horizonte razoável no Brasil”, lamenta. “Infelizmente para o país, a tendência é essa debandada aumentar”.
Graduado em Fisioterapia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 2007, com mestrado (2014) e doutorado (2015) na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Sanches foi contemplado com uma bolsa de excelência do governo suíço, para desenvolver um projeto de pesquisa na Universidade de Genebra com duração de um ano.
Depois desse período, foi convidado por seu chefe, Stéphane Sizonenko, a permanecer lá, mas optou por retornar ao Brasil, onde tinha compromisso com seu antigo orientador. Ficou dois anos aqui, período em que o convite anterior para retornar a Suíça foi refeito. Dessa vez, ele aceitou e voltou para lá, em setembro de 2019.
Pesou na escolha a possibilidade de melhores salários. “Aqui na Suíça, além de ser levada muito a sério, a pesquisa científica é considerada profissão, ou seja, contribuo com impostos e tenho direito a aposentadoria”, conta.
“Além disso, há melhores condições de trabalho, que são inegavelmente ótimos atrativos a deixar o meu país. No Brasil, a ciência e a cultura não são estimuladas e a inserção de pessoas altamente capacitadas no mercado de trabalho, por não haver incentivo à pesquisa e desenvolvimento, se torna muito difícil. É triste admitir que seremos uma nação meramente exportadora de commodities e importadores de tecnologia de ponta.”
Procurados pela reportagem, o Ministério da Educação e a Casa Civil da Presidência da República disseram que quem poderia comentar o tema era a Capes, que, em nota, respondeu:
“A Capes aumentou em 9,1% o seu orçamento de 2018 para 2019, que subiu de R$ 3,84 bilhões para R$ 4,19 bilhões. Atualmente, há 95,4 mil bolsistas no País e 8,7 mil no exterior. Também foram lançados 21 editais de cooperação internacional e mais R$ 80 milhões para pesquisas de pós-graduação na Amazônia Legal, além de 1.800 bolsas que auxiliam no desenvolvimento regional. Para 2020, o Ministério da Educação busca meios para recompor o orçamento com outras ações orçamentárias. Nenhuma bolsa será cortada e todos os programas da CAPES serão mantidos.”
O CNPq, por sua vez, respondeu, também por meio de nota:
“O êxodo dos pesquisadores brasileiro para outros países é uma preocupação, que norteia uma série de iniciativas que o CNPq tem fomentado para aperfeiçoar e ampliar mecanismos de fixação de nossos profissionais da ciência e tecnologia. Dentro das limitações orçamentárias e legais que se aplicam ao CNPq, a agência investe, por exemplo, em programas que, em parceria tanto com instituições públicas quanto a iniciativa privada, incentivam a realização de projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação dentro de empresas e indústrias.
O objetivo é, além de contribuir com a formação de recursos humanos mais qualificados, garantir empregabilidade dos pesquisadores. Importante ressaltar que em países como Japão, Coreia do Sul, Israel, EUA e China, mais de 60% do total de seus pesquisadores estão alocados em empresas, segundo dados de 2018 da OCDE. No Brasil, esse percentual é de apenas 18%.”
Procurado pela BBC News Brasil, o MCTIC não retornou a solicitação até a conclusão desta reportagem.
Medo do desemprego ou de interrupção das bolsas
Geóloga formada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Renata Leonhardt recebeu uma bolsa da Universidade de Saskatchewan, uma das 15 melhores universidades do Canadá em pesquisa
Arquivo Pessoal via BBC
Bem mais jovem, com 23 anos e cursando um mestrado, a geóloga Renata Leonhardt, formada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e com estágio em empresas do setor petrolífero, igualmente partiu do Brasil em busca de melhores oportunidades e salários. Ela recebeu uma bolsa da Universidade de Saskatchewan, uma das 15 melhores universidades do Canadá em pesquisa.
O medo de ficar desempregada depois de formada foi outro motivo que a levou a ir embora.
“Até pouco tempo antes de me formar, o setor de óleo e gás ainda estava na expectativa de se recuperar da última crise”, diz Renata. “Mas depois, as oportunidades na minha área ficaram um tanto escassas, mesmo para recém-formados que haviam estagiado anteriormente e buscavam contratação, como era o meu caso.”
O atual cenário político brasileiro também foi levado em conta por Renata em sua decisão. “Ele não está muito favorável para a ciência”, explica. “Eu temia, por exemplo, ficar sem bolsa no meio do curso — algo que era crucial para que eu continuasse a pesquisa.”
Em agosto, o CNPq chegou a anunciar que havia risco de não pagamento dos seus mais de 80 mil bolsistas a partir de outubro. Isso não ocorreu, no entanto. O governo conseguiu cumprir o compromisso.
Essas também foram algumas das razões da bióloga Bianca Ott Andrade, formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), para se mudar para o exterior, no caso, Estados Unidos, onde faz pós-doutorado, na Universidade do Nebraska-Lincoln.
“No Brasil, eu tinha uma bolsa de pesquisadora de pós-doutorado, que ia se encerrar no final de 2019, mas havia grandes chances de ficar desempregada”, conta.
Além disso, contribuiu para a decisão de Bianca a atuação do atual governo nas áreas de ciência e educação, com menos incentivo ao ensino superior e a políticas ambientais.
“Eu trabalho com ciência e educação, é isso o que eu amo, é o que eu sei fazer. Sinto que não tem espaço pra mim, pelo menos não agora. Decidi dar um tempo para minha cabeça.”
No caso de Gustavo Requena Santos, razões pessoais e profissionais se somaram para que ele decidisse se mudar para o exterior.
“Sou casado com um americano e no final da minha bolsa de pós-doutorado na USP, em meados de 2017, ele obteve uma oferta de trabalho para voltar aos EUA e decidimos nos mudar”, conta.
“Entretanto esta não foi a maior razão pela qual saímos do Brasil. Foi uma oportunidade para mudarmos para um local com melhores condições e perspectivas para o futuro.”
Ele diz ainda que, como profissional, apesar de quase 10 anos de experiência em pesquisa, se sentia desvalorizado, sem benefícios ou vínculo empregatício. “O cenário ficou insustentável”, explica. “Por isso, resolvi me mudar.”
Menos valor para a economia
Seja qual for o motivo de cada um para ir embora, o certo é que o Brasil está perdendo jovens doutores, quando o número deles, em qualquer idade, já é menor que a média internacional. De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas 0,2% da população brasileira possui doutorado, enquanto a média dos países pertencentes à organização e de 1,1%.
Segundo dados do CNPq, o Brasil tem hoje 7,6 doutores por 100 mil habitantes, índice que está estabilizado.
“Esse número não é suficiente, haja vista que países desenvolvidos têm um número muito superior”, diz a bioquímica Ângela Wise, da UFRGS, membro titular da Academia Mundial de Ciências e secretária regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) no Rio Grande do Sul.
“Como é o caso do Japão, que é o país desenvolvido com o menor número de doutores: 13 por 100 mil habitantes. O Reino Unido, por sua vez, tem atualmente 41, enquanto Portugal, 39,7; Alemanha, 34,4; e os Estados Unidos, mais de 20.”
É muito pouco, segundo o engenheiro cartográfico Antonio Maria Garcia Tommaselli, do campus de Presidente Prudente, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), cujo grupo de pesquisa já perdeu três doutores para instituições europeias.
“Para um país com uma economia complexa como a do Brasil e que precisa agregar valor tecnológico aos seus produtos, em vez de apenas exportar matérias-primas, o ideal seria dobrar ou triplicar o atual número de doutores”, diz.
Apesar de ver aspectos positivos na diáspora, no cômputo geral, Tommaselli a considera prejudicial ao país.
“O lado positivo é que ela significa que formamos cientistas de classe internacional”, explica.
“O dramático é que estamos perdendo os melhores pesquisadores e que nos substituiriam no futuro, levando consigo todo o investimento feito com recursos públicos e o conhecimento altamente especializado que eles detêm. Um erro estratégico que será sentido em alguns anos, com o apagão científico em várias áreas”, ressalva.
Mas não é só isso. “O mais grave é que o governo atual não tem qualquer política para reter estes cientistas, ao contrário, entende como remédio reduzir a formação de doutores”, critica Tommaselli.
“Encontramos o mesmo cenário em vários grupos de pesquisa brasileiros de expressão internacional e as consequências futuras serão muito ruins para a economia, que se baseia em conhecimento”, acrescenta.
Segundo Atlas, não haverá renovação do quadro de pesquisadores e professores de nível superior.
“Ou, sendo menos pessimista, ela será aquém da necessária”, diz. “Haverá déficit de cientistas. E eles e os educadores terão menos conhecimento. Seremos piores. Sem investimentos, sem incentivos, será feita ciência de baixa qualidade, os avanços serão pífios. Novas tecnologias não serão desenvolvidas, as já existentes não serão aperfeiçoadas. Nos tornaremos ainda mais dependentes de outros países e de multinacionais em termos de ciência, tecnologia e cultura.”

Contaminação Seja qual for o desfecho da investigação sobre os produtos contaminados da Backer, a crise da cerveja que levou quatro pessoas à morte deixará sequelas em todo o segmento de cervejas artesanais. O que se comenta no mercado cervejeiro é que o episódio da fabricante mineira prejudicou o atributo mais explorado pelas marcas de bebidas feitas artesanalmente, ou seja, sua oposição às gigantes industriais. A pequena escala, que era um diferencial, passa a ser questionada. 
Leia mais (01/18/2020 – 02h35)

Não se veem muitas camisetas e abrigos com marcas de empresas nas ruas de San Francisco hoje em dia. Os jovens de 20 e poucos anos costumavam usar logotipos para mostrar lealdade à Zynga, ao Dropbox ou a qualquer empresa de tecnologia bem financiada que os empregasse (e porque as roupas eram de graça). No auge do boom das startups, em 2010, eles eram onipresentes. Agora parecem ter praticamente desaparecido.
Leia mais (01/17/2020 – 22h55)


Brasileiros estão na Antártica há 38 anos; presença do país em terras tão inóspitas é considerada estratégica. Oito anos depois do incêndio que destruiu a Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira reabre para cientistas e pesquisadores.
Divulgação Marinha do Brasil
A nova Estação Antártica Comandante Ferraz foi inaugurada na quarta-feira (15), oito anos após um incêndio consumir parte da estrutura anterior, matando duas pessoas.
O Brasil é um dos 29 países presentes no continente, que não tem governo e não pertence a nenhuma nação, e é considerado uma área de preservação científica. A presença brasileira em terras tão inóspitas é considerada estratégica. Os principais motivos, são:
geopolítico: a principal rota para chegar ao continente antártico passa pelo Atlântico Sul, e o Brasil tem a maior costa neste oceano. Além disso, há reservas de petróleo no continente
ambiental: a Antártica possui 90% do gelo e 80% da água doce da Terra. O manto de gelo é o maior detentor de calor terrestre e as correntes marítimas de lá interferem na pesca na costa do Brasil
científico: diversos estudos feitos na região podem contribuir para o desenvolvimento nacional
Estação Antártica Comandante Ferraz conta com geradores eólicos e placas fotovoltaicas.
Divulgação Estúdio 41
Pesquisas brasileiras na Antártica
Segundo o Ministério da Ciência (MCTIC), há pesquisas sendo desenvolvidas que trarão benefícios para as áreas da medicina, com a formulação de medicamentos; da agricultura, no desenvolvimento de novos pesticidas e herbicidas; e da indústria, na fabricação de produtos como anticongelantes e protetores solares.
As pesquisas feitas na Antártica estão inseridas no Programa Antártico Brasileiro (Proantar), que em 2020 completa 38 anos de atuação. Há também a presença do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) da Criosfera e pesquisas da Fiocruz.
Ao todo, são 19 projetos de pesquisa sendo desenvolvidos. Eles foram aprovados pelo Comitê Científico de Pesquisa Antártica (SCAR, sigla para Scientific Committee on Antarctic Research).
Confira abaixo alguns destaques:
Vigilância epidemiológica
Pesquisadores da Fiocruz fazem coleta de materiais na Antártica para pesquisar microorganismos
Divulgação/Fiocruz/Paulo Lara
Pela primeira vez, a Fiocruz tem um laboratório na Antárica para se dedicar ao estudo de microorganismos. De acordo com Wim Degrave, coordenador do projeto FioAntar, a ideia é identificar potenciais riscos de infecção.
“A gente pensa que a Antártica é muito longe, muito isolada, mas não é bem assim. Há golfinhos, baleias, animais marinhos, aves migratórias, correntes marítimas e de ar que transitam pelos continentes. Eles carregam micro-organismos e microplásticos que absorvem bactérias e fungos que poderiam infectar o ser humano. Além disso, há o turismo crescente na região”, diz Degrave, em entrevista ao G1.
O fluxo dos micro-organismos é tema de análise destes pesquisadores. Degrave esteve no continente entre outubro e dezembro do ano passado para finalizar a instalação dos equipamentos e fazer os primeiros testes.
Ele e os pesquisadores da Fiocruz recolheram amostras da água de degelo, do mar, e das praias. Ao longo da pesquisa, também serão coletadas amostras de fezes de animais e pássaros e carcaças
“A gente olha para a biodiversidade e quais bactérias, vírus e fungos têm ali; como a biodiversidade é influenciada pelo trânsito no continente; e quais são eventualmente as moléculas e enzimas que poderíamos aproveitar para fazer protótipos de antibióticos ou novos fármacos”, explica.
DNA ambiental
Cientista Paulo Câmara, da UnB em frente a Estação Antártica Comandante Ferraz
Arquivo Pessoal
A análise de DNA das amostras recolhidas já permitiu que fossem encontrados sinais de uva, cebola e até pachouli na Antártica. “Não é que tem um pé de uva lá”, brinca o professor de Botânica da Universidade de Brasília (UnB) Paulo Câmara, um dos pesquisadores que estão na Antártica.
“Mas o DNA está presente, e a gente imagina que tenha sido levado por turistas, que frequentam uma área com águas quentes em uma cratera de vulcão”, explica, em entrevista ao G1.
A análise do DNA também permite identificar as plantas do continente, que crescem submetidas a condições ambientais muito extremas (como frio, ventos, raios ultravioleta e escuridão total durante o inverno). “A morfologia (forma) delas é um pouco esquisita, e muitas estão identificadas errado. A gente está pela primeira vez aplicando a ferramenta molecular – estamos usando DNA – para identificar essas plantas”, explica.
A pesquisa vai ajudar a entender como as plantas se locomovem ao longo das correntes de ar, como elas chegam até a Antártica, como evoluem, e por que se estabelecem. “Se elas ficam 6 meses debaixo do gelo e ficam vivas fazendo fotossíntese, elas têm substâncias que são anticongelantes, e anticongelantes são úteis na aeronáutica”, afirma Câmara.
Biotecnologia
Os musgos da Antártica conseguem sobreviver a temperaturas menores de -80°C. Os cientistas investigam quais os mecanismos físicos e biológicos são responsáveis por esta dinâmica, segundo o Ministério da Ciência. Ao isolá-los, é possível aplicar o mesmo mecanismo anticongelante na aviação, por exemplo.
Já os fungos produzem substâncias que têm propriedades antibióticas, pigmentos e enzimas que podem levar ao desenvolvimento de novos produtos.
Pássaro avistado na Ilha Rei George, na Antártica, onde foi inaugurada a estação brasileira de pesquisas no continente gelado
Reprodução/TV Globo
Clima
O clima na América do Sul é fortemente influenciado pela Antártica. Por isso, há pesquisas sendo feitas para investigar as mudanças climáticas e o equilíbrio do ecossistema.
De acordo com o Ministério da Ciência, essas pesquisas são fundamentais para prever cenários futuros de mudança climática no Brasil.
Nos nove laboratórios do INCT da Criosfera, são analisados o impacto do degelo no nível do mares, a reconstrução paleoclimática e também a química da atmosfera a partir de amostras de gelo que guardam as substâncias químicas de cada época, segundo o Ministério da Ciência.
O INCT ainda monitora e avalia as consequências socioeconômicas decorrentes da rápida redução do gelo marinho ártico e também busca organismos extremófilos em ambientais glaciais, diz a o MCTIC, em nota.
Acampamento de pesquisadores na Antártica
Andrés Zarankin/Arquivo pessoal
Pesquisa arqueológica cortada
Uma pesquisa coordenada pela UFMG, com a participação dos Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, Espanha, Chile e Argentina, já escaneou 70% dos sítios arqueológicos e o material, em 3D, está disponível na internet a estudiosos de todo mundo. Mas, este ano, a continuidade dos estudos foi cortada.
De acordo com o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Andrés Zarankin, a ideia era chegar aos 100% em dois anos. Ele e a equipe tentam provar que o homem chegou à Antártica muito antes das expedições de europeus no século 19 e início do século 20.
O G1 procurou o CNPq e aguarda posicionamento sobre esta pesquisa.
VÍDEOS
Fiocuz terá laboratório para pesquisas na Antártica
Brasil inaugura nova base na Antártica
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Teste em ruas da Índia mostra que cachorros tendem a seguir direção apontada por desconhecido, o que indica uma compreensão dos gestos humanos. Alguns estudos já haviam mostrado que cães de estimação seguem gestos de humanos, mas será que o mesmo acontece com os que vivem nas ruas?
Getty Images/BBC
A milenar e próxima relação entre cães e humanos já foi objeto de muitos estudos científicos, que revelam que desde os músculos ao redor dos olhos até a liberação do hormônio ocitocina facilitam a relação dos cachorros conosco.
Como muitos destes estudos envolveram animais domesticados, criados em casa e minimamente adestrados, fica a dúvida: será que cães de rua reagem da mesma maneira?
Como calcular a verdadeira idade do seu cachorro
O cão que encontrou menino desaparecido e se tornou o 1º cachorro nomeado cabo da PM
O cachorro-lobo de 18 mil anos que intriga os cientistas
A bióloga Anindita Bhadra, do Instituto de Educação e Pesquisa Científica de Calcutá, na Índia, vem pesquisando há anos especificamente populações de cães vivendo ao relento — e busca responder essa pergunta.
Segundo a autora, os cães de rua são o maior grupo de cachorros no mundo e seu vínculo com os humanos é marcado por vários fatores, inclusive sociais e econômicos.
Entenda o teste
O último trabalho de Bhadra e seus colaboradores foi publicado no periódico Frontiers in Psychology e testou a reação dos animais de rua a comandos de humanos desconhecidos. O teste já havia sido feito em outros estudos, mas sempre com donos de pets.
Ao se depararem com dois recipientes de comida, os cães de rua escolheram na maioria dos casos aquele para o qual o humano apontava.
A equipe realizou nas ruas de cidades da região indiana de Bengala Ocidental um experimento digno do Ig Nobel, o prêmio que laureia pesquisas científicas engraçadas, e muitas vezes estranhas. A primeira fase era de familiarização: uma pessoa mostrava a um cachorro de rua um pedaço de frango cru, que o animal podia cheirar, e depois esta carne era posta dentro de um recipiente.
Então, o alimento era posto dentro de um pote, deixando um segundo receptáculo vazio. Um instrutor então entrava em cena. Sem saber onde a galinha estava, ele apontava para um dos recipientes no chão. Detalhe: tudo milimetricamente medido, com distâncias pré-estabelecidas entre os potes, o instrutor e o cachorro. A equipe também produziu relatórios e filmagens dos experimentos.
Foram testados 120 animais. Destes, praticamente metade (59) se aproximou de algum dos potes — os outros ficaram parados ou saíram em outra direção, o que os cientistas associam com um estado de ansiedade e possivelmente resultado de experiências negativas anteriores. Dos que se aproximaram, cerca de 80% (47 cães) foram na direção apontada pelo instrutor, independentemente do que havia lá.
Houve ainda testes com um grupo controle de 40 animais, para verificar se outras variáveis podem ter influência na escolha dos potes, o que não foi confirmado — a influência humana foi evidente. Por isso, a equipe de Bhadra diz que cachorros já nascem capazes de entender certas ações humanas, mesmo sem treinamento.
“Achamos bastante animador que os cães conseguissem seguir um gesto tão abstrato como apontar com a mão”, disse Bhadra em um comunicado à imprensa. “Isso significa que eles observam os humanos com atenção, inclusive aqueles que veem pela primeira vez, e usam esta compreensão sobre os humanos para tomar uma decisão. Isto mostra a inteligência e a adaptabilidade destes animais”.
‘Empatia’
Uma combinação entre fatores genéticos e experiências de vida explica comportamento de cães em relação aos humanos, afirmam pesquisadores
Getty Images/BBC
Ao analisar o grupo de cães que se afastou dos testes, os pesquisadores destacam que “experiências ao longo da vida podem ser diferentes e ter um impacto significativo no comportamento dos cães”.
“Cães de rua são encontrados na maior parte dos países em desenvolvimento e vivem sem supervisão humana direta. Eles interagem com humanos regularmente e recebem estímulos positivos, como comida e carinho; e negativos, como agressões (…)”, diz o artigo no Frontiers in Psychology.
Bhadra diz que os resultados da pesquisa, por ampliarem a compreensão sobre a nossa relação com os animais, podem melhorá-la.
“Precisamos entender que cachoros são animais inteligentes que podem coexistir conosco”, diz. “Eles são muito capazes de entender nossa linguagem corporal, e precisamos lhes dar espaço. Um pouco de empatia e respeito por outras espécies pode reduzir muito do conflito.”
‘Melhor amigo do homem’ há milhares de anos
O artigo tem um capítulo de contextualização, em que os autores lembram que outros animais reagem a gestos de humanos, como chipanzés, cavalos, elefantes, cabras e gatos.
Os cachorros são possivelmente uma das primeiras espécies de animais domesticados, entre 10 mil e 30 mil anos atrás, segundo diferentes interpretações. Descendentes de lobos, adaptaram-se à convivência com humanos — o que segundo a literatura, não nos trouxe benefícios inicialmente, embora mais tarde eles tenham começado a ser usados em atividades como caça e controle de rebanhos.
Como o estudo publicado agora, outros já haviam demonstrado a capacidade dos cachorros em reagir a diferentes tipos de gestos de humanos.
Assim, tanto fatores genéticos quanto experiências ao longo da vida individual podem explicar o comportamento dos cães.
Já havia sido demonstrado também que cachorros produzem ocitocina, hormônio relacionado à conexão social nos mamíferos, na presença de humanos.
Pesquisadores da universidade de Portsmouth, Inglaterra, publicaram um estudo mostrando também adaptações de músculos ao redor dos olhos de cães que permitem expressões faciais particularmente atraentes aos humanos — como um olhar infantil e similar aos movimentos dos olhos humanos quando tristes.
“Quando os cães fazem esse movimento, parecem despertar nos humanos um forte sentimento de proteção”, explicou em 2019 Juliane Kaminski, da equipe de Portsmouth.

A terapia com células-tronco pode ser uma quebra de  paradigma no tratamento da impotência sexual do homem.

A terapia, que tem como objetivo reparar ou substituir células danificadas, tem se mostrado realizável, seguro e tolerável. 

Não são muitos os trabalhos realizados com homens (faixa etária de 50 a 70 anos) entre 2010 e 2018, mas os resultados são promissores.

Por enquanto pode-se concluir que o tratamento é possível, mas ainda faltam muitas análises para se concluir que será um tratamento efetivo na cura da impotência sexual masculina de origem orgânica.

Uma das preocupações dos cientistas é o impacto que a terapia pode ter em homens com câncer da próstata, uma vez que a terapia com células-tronco poderia também estimular a proliferação da doença. Esse é um dos motivos do porquê que mais trabalhos e análise em períodos de mais longo prazo são necessários.

A Justiça Federal condenou um proprietário rural, um piloto agrícola e uma empresa a pagarem, solidariamente, R$ 150 mil à Comunidade Indígena Tey Jusu, vítima de aplicação irregular de agrotóxico. Segundo o Ministério Público Federal, a comunidade -localizada em Caarapó (MS), 270km ao sul da capital, Campo Grande, é a primeira do estado a ser […] … Leia post completo no blog
Leia mais (01/16/2020 – 22h31)